Sou pequenina como uma formiga,
Grandiosa como a lua,
Ofuscada como a escuridão da noite,
E brilhante como o sol.
Sou o silêncio de frente para o crime,
Os gritos do doente desalmado,
A solidão da lua cheia,
A multidão de sexta-feira.
Sou uma memória perdida na recordação,
Uma lembrança não mais lembrada,
Aquele peixe fora d’ água,
Que morreu afogado.
Sou o passado mal desvendado,
O presente mal escrito,
O futuro mal sonhado,
Menina dos sonhos quebrados.
Sou um piano desalinhado,
Um violino desafinado,
Um violão mal tocado,
Um amor mal amado.
Sou e sempre serei a menina dos olhos de fel,
Dos lábios de mel,
Dos versos de papel.
Sou a eterna sonhadora da vida,
A criança do laço de fita,
Que nasceu entre as dúvidas e dívidas.
Sou o muito que falei,
Ou o pouco que contei.
Sou os segredos que relatei,
Ou o silêncio que jamais desvendarei.